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605 Forte

O meu Mundo frase a frase. Ironia e sarcasmo usados sem aviso prévio.

Inquietudes

por F., em 22.11.19

De que serve um amigo que não sabe dar conselhos amorosos? Se eu precisar de um conselho de finanças, vou ao banco ou às Finanças. Se eu precisar de um conselho de saúde, vou ao médico ou leio o horóscopo. De que serve um amigo que não sabe dar conselhos amorosos? É certo que à medida que vamos caminhando na nossa vida - ou que a vida vai caminhando em nós - o nosso perímetro de intimidade aumenta. Quando somos jovens, partilhamos mais com os nossos amigos. Quando somos mais velhos, falamos do passado, das trivialidades do presente, mas nunca do futuro. Isso é, possivelmente, a coisa mais íntima que existe. As questões amorosas ficam, claro está, dentro deste perímetro de intimidade. Quem se arrisca a falar dos problemas com o marido ou a mulher com os amigos? Que desfaçatez. Isso é íntimo. Se fossem problemas com o namorado ou a namorada, a conversa era outra. Mas, afinal, de que serve um amigo que não sabe dar conselhos amorosos? Dizia eu que o perímetro da intimidade aumenta com a idade. Isso faz com que os nossos amigos, outrora luz que nos abria o caminho, se tornem uma espécie de luz de presença. Isso não faz deles menos importantes. Apenas altera a forma como as relações se relacionam. No entanto, a dúvida que me assalta - sem qualquer aviso prévio tipo "mãos ao ar! Isto é um assalto!". As dúvidas assaltam silenciosas e sorrateiras. Atrapam-nos e destapam-nos. Ficamos nus perante tudo o resto. Às vezes, duram uma vida (engraçada expressão. "Às vezes, duram uma vida". No fundo, é aquele "às vezes" perene. Um "às vezes" que não é senão um "sempre"). Consomem e não somem. Sacanas! - é: de que serve um amigo que não sabe dar conselhos amorosos?

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