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605 Forte

O meu Mundo frase a frase. Ironia e sarcasmo usados sem aviso prévio.

Acerto

por F., em 13.01.21

Todas as vezes em que quase falhei.

Politicamente Correcto

por F., em 04.01.21

Eliminaram-se as reticências e os etcéteras e foram sendo colocadas cada vez mais coisas entre parêntesis em nome de uma inclusão que não passa de um exercício de retórica que dissuade do essencial e etc...

Tudo de Bom

por F., em 30.12.20

Sem pudores o assumo: não me parece adequado desejar tudo de bom a alguém. "Tudo", parecendo que não, ainda é bastante e não estou certo de que alguém mereça tanto. Por outro lado, se alguém tiver tudo de bom, não sobra nada para os restantes. Não devemos contribuir para uma sociedade que faz da cartelização do "tudo de bom" o seu mote, gerando mais um monopólio. Muitos me dirão que desejam "tudo de bom" a várias pessoas e que, assim sendo, não estão a contribuir para o capitalismo selvagem das boas graças, mas a verdade é que isso constitui a prática do rodízio do "tudo de bom", o que não me parece adequado tendo em conta o precedente de incoerência que levanta: como é que se pode dividir "tudo" sem que deixe de ser "tudo" e passe apenas a ser parte? Já para não falar que, como bem sabemos, as pessoas quanto mais têm mais querem ter e nunca aceitariam tomar a parte pelo todo. A solução para este imbróglio, dirão alguns, poderia passar por desejar "um bocadinho de tudo de bom" às pessoas. Pode parecer um pouco estranho, mas é uma questão de prática. No fim de uma qualquer reunião com outro indivíduo, soltar o desejo de "um bocadinho de tudo de bom para ti". É mais comedido e garantimos que assim sobra um pouco para os outros. O problema, no entanto, é que o que é bom para uns é mau para outros e o bem de uns é o mal de outros. Como é que garantimos que ao desejar um bocadinho de tudo de bom a um sujeito não estamos a condenar um outro a quem outrora também fizemos essa cortesia a um bocadinho de algo mau? Para resolver esta trapalhada talvez seja importante criar uma entidade reguladora que distribua de forma equilibrada os bocadinhos do tudo (que já sabemos que é apenas parte) de bom, de modo a não ferir terceiros. Esta organização seria também ela responsável por proibir o desejo do "bocadinho de tudo de bom para ti e para os teus" naquelas situações em que não se conhece "os dele". Faz sentido desejar algo a pessoas cuja existência desconhecemos? Podem argumentar que é apenas uma cortesia com o receptor da mensagem, mas e se o próprio receptor não partilhar desse mesmo desejo? Não estamos a incorrer em infracção ao anular o "bocadinho de tudo de bom" dele com o "bocadinho de tudo de bom" dos outros? 

Assim sendo, e mantendo-me fiel aos meus princípios, despeço-me de si, caro leitor, cordialmente, mas não lhe desejando nada de particularmente bom. Espero que compreenda.

Este Post É Sobre Covid e Todas as Outras Coisas

por F., em 05.12.20

O drama está no facto de depender sempre das pessoas.

Romantismo de Outrora

por F., em 04.12.20

A missiva que a Polícia recebeu em anexo à queixa-crime dizia apenas "és linda". Ele foi preso por assédio sexual e julgado nas redes sociais por objectificação da mulher. E, assim, viveram separados para sempre.

Fragilidades

por F., em 04.12.20

O Mundo é duro e as pessoas acham que não têm o Direito de viver num Mundo duro. Procuram que vivamos numa sociedade em que cada um viva dentro da sua própria campânula sem acesso a qualquer tipo de dificuldade. Se formos todos frágeis e estivermos afastados uns dos outros e da realidade, será mais fácil viver neste Mundo. Eu sou contra campânulas. Chamem-me conservador ou lá o que é.

Nem Toda a Gente Engordou Com a Pandemia

por F., em 01.12.20

Porque é que existem empresas? Muitas vezes, na espuma dos dias, acabamos por nos esquecer das respostas às perguntas mais simples, dignas de uma criança. Será que as empresas existem por causa do lucro? A minha resposta é um redondo "não". É certo que a maioria das pessoas não trabalharia se recebesse um ordenado sem necessidade de o fazer ou o que os accionistas não investiriam se não fosse a pensar no lucro que determinada empresa pode dar. No entanto, uma empresa existe apenas por uma razão: prestar serviços. Parece algo simples, mas esta é a ideia que, na minha opinião, é muitas vezes esquecida, mas que deve nortear o rumo de todas as empresas. O lucro não se esgota em si mesmo nem deve ser o objectivo. Nenhum trabalhador do Mundo se levanta de manhã quando toca o despertador motivado com a ideia de dar lucro à empresa. O lucro é o meio que as empresas têm para poderem continuar a prestar serviços, sendo, por isso, essencial. Para aumentar os lucros, uma empresa deve focar-se no seu serviço. A pergunta que deve ser mais feita não é "como posso aumentar os lucros?", mas sim "como posso melhorar o serviço que presto?". Mais importante do que fazer mais é fazer melhor. É fazendo melhor que podemos fazer mais. Se eu servir 10 cafés de pouca qualidade por dia, não faz sentido que me peçam para começar a servir 20. Devo, isso sim, começar a servir 10 cafés bons, porque um cliente satisfeito é um cliente que volta.

Muitas vezes, a melhoria do serviço que prestamos desenha-se internamente. A meu ver, uma boa política de Recursos Humanos deve ser a fundação de qualquer empresa de sucesso. Não falo apenas de bons salários, contratos estáveis ou outros benefícios – que devem existir, mas como reflexo de algo bem maior. Falo de uma visão que deve ser partilhada e de uma responsabilidade social que as empresas têm com os seus trabalhadores. Estamos a atravessar um período difícil em que muitas empresas colocaram trabalhadores em lay-off com perdas de rendimento ou que inclusivamente despediram trabalhadores. Algumas destas pessoas tiveram de atrasar pagamentos de rendas e outras contas, mas elas estão lá à espera de ser pagas. E acreditem: as dívidas não desaparecem se não forem pagas. É responsabilidade das empresas não deixar que os seus trabalhadores passem por dificuldades. Trabalhar perde todo o sentido a partir do momento em que o trabalho não serve para pagar o básico da vida de uma sociedade como a entendemos. Muitas empresas colocaram pessoas em lay-off para diminuir perdas. O lay-off é uma medida extrema e não devia servir para diminuir perdas, mas sim para evitar que determinado posto de trabalho seja extinto. Uma empresa perde umas vezes e ganha noutras. Não estando em risco a sobrevivência da empresa, a pergunta deve ser “como é que melhoro o meu serviço?” e não “como é que perco menos?”. Mais ainda quando o desequilíbrio de forças é muito grande entre patrões e trabalhadores e não têm qualquer pejo de o mostrar, colocando trabalhadores em lay-off ao mesmo tempo que os seus rendimentos e regalias não sofrem qualquer alteração. Isto não é populismo. É o patrão vestir a camisola da empresa, porque a empresa são as pessoas. Os números são apenas um reflexo.

Esoterismo

por F., em 16.11.20

Sentia todas as segundas-feiras como sextas-feiras 13.

Lisboa, segunda-feira seja-qual-for-o-número de 2020.

Recolhimento Obrigatório

por F., em 16.11.20

Guardou todos os sentimentos nela.

D.Rodrigo I e Único, o Pandémico

por F., em 27.05.20

A Pandemia originou inúmeras mudanças na nossa vida. Uma série de expressões invadiram-nos e ouvimo-las repetidamente todos os dias. Não sei quanto ao estimado leitor, mas a mim é das coisas que mais me desgastou no "confinamento". Começava por sugerir que se parasse de chamar "novo coronavírus" ao vírus e se substituísse por "o mesmo coronavírus". Não se fala de outra coisa! Já não é novo. Isto até pode criar o sobressalto nas pessoas de acharem que ainda não nos livrámos deste e já apareceu outro. Por outro lado, propunha que se reduzisse a expressão "linha da frente" até um máximo de 3 utilizações por telejornal (a menos que seja para falar do Liedson ou assim). É preocupante ouvir falar em tanta gente na linha da frente precisamente quando se apela a que mantenhamos a distância física entre nós. Que tal irem para outras linhas? Dispersem-se pela linha de trás, linha do meio, linha das pontas. Não estejam todos na linha da frente. Quanto à expressão "distanciamento social", incomoda-me mais a palavra "social" do que a palavra "distanciamento", mas isso, decerto, já não é uma novidade para o estimado leitor.

 

Não é apenas no vocabulário que se sentem as alterações. Na Assembleia da República, Ferro Rodrigues, depois de ter rejeitado a ideia de os presentes na cerimónia do 25 de Abril irem "mascarados", decretou o uso obrigatório de máscara. Devo dizer que concordo e que acho que era algo que Ferro Rodrigues já deveria usar há mais tempo. Já todos sabíamos dos seus reflexos "pavlovianos", mas cheguei a temer que todo aquele rosnar antes do Dia da Liberdade fosse algo contra as máscaras. Se eu fosse Ferro Rodrigues, aproveitava que estamos numa fase de mudanças e tentava introduzir mais algumas. Por exemplo, o Chega de André Ventura (deve ser dito repetidamente e desta forma) deveria mudar temporariamente o nome para "Chega-te Para Lá"; o hábito de os políticos lavarem as mãos dos problemas deveria ser reforçado, sendo proibido o também clássico sacudir a água do capote. Ficam as sugestões.

 

Com o maior número de horas que passamos em casa, as televisões também decidiram aumentar a duração do telejornal. Eu sinto que há emissões que começam no Paleolítico e se extendem até aos dias de hoje. Por outro lado, surgiu uma nova tendência: há que fechar o telejornal com um momento diferente que encha os nossos corações de esperança, depois de quase 2 horas a mostrar como a nossa vida não vai ser a mesma e todos estamos em risco. Como se não bastasse andar por aí mais um vírus à solta, os senhores jornalistas acharam por bem fazer um esforço de tornar os fechos do telejornal virais. Assumiram que era a tendência para esta Primavera-Verão. "O padrão vírus é o que está a dar", parece que os estou a imaginar a comentar nas redacções. O Yves Saint Laurent desta nova moda é, sem dúvida, Rodrigo Guedes de Carvalho com os seus discursos e poemas inspiradores que me fazem ter mais medo de o desiludir do que do próprio vírus. Quem não se deve sentir muito inspirada por Guedes de Carvalho é a Ministra da Saúde que apanhou forte e feio quando foi entrevistada pelo distinto pivot. Pode estar muito embrenhada em resolver o problema do coronavírus, mas o que é certo é que, desde aquele dia, Marta Temido pelo menos já sabe um pouco melhor o que é bom para a tosse. Houve alguma contestação a Rodrigo Guedes de Carvalho após a entrevista, mas eu gostava de lembrar os indignados que todo o Almada Negreiros tem o seu Manifesto Anti-Dantas.

 

São, sem dúvida, tempos bastante diferentes daqueles a que estávamos habituados. A "nova normalidade" obriga a que usemos expressões novas, criemos novas rotinas e, sobretudo, vejamos muitos narizes fora das máscaras. Talvez seja mania de meter o nariz onde não são chamados, talvez seja aprendizagem. O importante é não sucumbirmos perante as dificuldades. Como um dia alguém disse "pedras no meu caminho? Guardo-as todas. Um dia vou construir um castelo". Passo a emissão para ti, Rodrigo.