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605 Forte

O meu Mundo frase a frase. Ironia e sarcasmo usados sem aviso prévio.

Fina Ironia

por F., em 23.06.19

Uma das grandes ironias dos nossos dias é o facto de os vegans serem contra toda a exploração animal e a maioria passar a vida a tentar vender-nos o seu peixe. 

Triângulo Amoroso

por F., em 08.06.19

Sonhava entrar no triângulo amoroso de uma novela. No entanto, nunca encontrou os outros dois vértices. Não passou de um triângulo incompleto. Um triângulo de um só vértice, o que, neste guião é, ao fim e ao cabo, um ponto final.

PIM, PAN, PUM.

por F., em 08.06.19

Não voto no PAN precisamente pela mesma razão que não voto no PNR. Não gosto de extremismos nem de ditaduras. O PAN diz que não é de esquerda nem de direita. Eu não gosto de ditaduras de esquerda, não gosto de ditaduras de direita e também não gosto de ditaduras que não são de esquerda nem de direita.

Aquilo que define uma ditadura é os meios que são postos em prática. O típico militante do PAN é uma pessoa que pretende mudar o Mundo no seu período de vida. Só há uma forma de mudar o Mundo numa perspectiva mais global: obrigar os outros a fazer aquilo que nós queremos que os outros façam e sejam. É isso que o PAN é. O PAN é um partido de uma causa só, cuja presença no Parlamento é marcada sobretudo pelo maior número de abstenções do que tomadas de posição. Um partido que constantemente se abstém é um partido sem opinião. O que leva alguém a votar num partido cuja única opinião é gostar de bichos e da natureza (confesso que nunca entendi o porquê desta distinção)? O PAN quer mudar mentalidades e, para já, embora não passe de uma nota de rodapé, é um partido totalitário. Imaginemos o PAN como força maioritária num Governo. Alguém duvida de que iriam impor o seu estilo de vida a todos quantos votaram e não votaram neles? O PAN quer mudar mentalidades e quer começar a mudar mentalidades mudando o teu almoço.

O PAN representa a sociedade em que hoje vivemos. É verdade que em Portugal não tivemos crescimento da extrema-direita como noutros países, mas o mecanismo por trás dos recentes resultados eleitorais do PAN é o mesmo: o populismo. Tal como a extrema-direita faz com a emigração, por exemplo, o PAN dá respostas simples a problemas complexos. Veja-se o exemplo do fim dos canis de abate. Uma medida saudada por toda a gente, pois, à partida ninguém concorda com o abate de animais saudáveis, mas que vem agudizar o problema dos cães e gatos errantes. Numa sociedade cada vez mais urbanizada e que impõe os valores urbanos e descura a ruralidade, há cada vez menos identificação com a política e os políticos. Tal como o PAN, há muitas pessoas que não têm opinião sobre Educação, Saúde, Economia ou Justiça, mas gostam de bichos e de natureza (continuo sem perceber a distinção). Tal como o PAN, abstêm-se sobre esses assuntos, mas têm convicções sobre tudo o que envolve bichos e natureza dando respostas simples a problemas que são muitas vezes muito mais complexos. O empenho destas pessoas está em salvar o Mundo num dia e acreditam que têm de espalhar a sua palavra aos quatro ventos como se estivessem a meter uma lança em África sempre que dizem o que todos os outros já nos venderam fotocopiado. São uma espécie de testemunhas de Jeová ecológicos.

Aquilo que é verdadeiramente grave no pensamento por trás do PAN e das suas testemunhas é o facto de tudo isto desumanizar a vida humana. O PAN é um partido cujo líder afirmou haver características mais humanas num chimpanzé ou num cão do que numa pessoa em coma. O PAN é um partido que queria retirar os cães dos sem-abrigo ainda que estes sejam a única coisa que muitos têm no Mundo (sendo que, se há cães que podem fugir são os dos sem-abrigo, mas, por alguma razão, mantêm-se ao lado do seu dono. Pelo menos enquanto o PAN deixar). Orwell imaginou em 1946 porcos assentes em duas patas e a comer à mesa com homens. Em 2019, continua a parecer-me bastante mais provável ver o Homem a ser rebaixado à categoria de bicho e ter um PAN qualquer desta vida a mandar-nos a todos para a pocilga jantar com os porcos. É que hoje em dia isto é só uma espécie de pim, PAN, pum, mas depois, um dia, puf!


Ajuste de Contas

por F., em 02.06.19

Sentia tanta raiva de Deus que queria agredi-lo. Por mais que quisesse, não lhe era possível. Afinal, que omnipresença era aquela? 

Encontro

por F., em 02.06.19

Convidou, finalmente, a rapariga para um encontro. Ela perguntou porque é que a estava a convidar e ele respondeu que era por razões pessoais. Ela recusou. Ele lamentou o incómodo causado ao qual era alheio. 

Relatório e Contas

por F., em 17.05.19

Se é possível escrever números com palavras, mas não é possível escrever palavras com números, parece-me evidente que as palavras estarão sempre mais perto de explicar a realidade do que os números. 

Obscurecimento

por F., em 08.05.19

A razão tinha-lhe fugido de tal maneira que até o eco respondia com discordância às suas palavras. 

Descentralização

por F., em 07.05.19

Estávamos em altura de eleições. Subiu ao palanque e fez ressoar sedutoramente a frase mais dita aos feios para lhes subir a auto-estima e levá-los a desejar algo que todos sabem que eles nunca poderão ter: "o que conta é o Interior", disse. 

Psicoterapia

por F., em 07.05.19

- Em condições normais, este post não começaria com um travessão. No entanto, isso seria assumir que se trata de um monólogo. Vamos deixar as hipóteses em aberto. É um diálogo com quem me quiser ouvir. 

Vias de Extinção

por F., em 06.05.19

A fábula é um género literário em vias de extinção por duas razões principais:

 

1- Cada vez há mais animais em extinção, o que diminui o número de possíveis personagens que podem ser inseridas em cada história;

 

2- Para a fábula ser reconhecida como fábula é preciso partir da premissa de que se está a prover os animais de características humanas. Com a crescente tendência para equivaler homens e bichos, a fábula desaparecerá.