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605 Forte

O meu Mundo frase a frase. Ironia e sarcasmo usados sem aviso prévio.

La Casa de Papel - Parte IV

por F., em 18.08.19

Desta vez, o plano era ainda mais arriscado e tudo tinha de sair na perfeição. Não havia margem para erros. O objectivo era tomar de assalto o seu coração e não mais sair. 

Tempo

por F., em 02.08.19

Tinha um bigode amarelecido pelo tempo, tal como as páginas de um livro antigo. Da mesma forma, tinha infindáveis histórias por contar. No entanto, nunca havia saído da estante. 

Dúvidas, Questões e Problemas III

por F., em 13.07.19

A pessoa que eu escolhi desta vez também poderá um dia contar aos netos que teve um blog (http://istoepeanurs.blogspot.com/) quando eles não fizerem ideia do que isso é e acharem que a infância dela aconteceu durante a era Mesozoica. Ela criou o blog porque lhe disseram que lhe poderia dar algum reconhecimento e eis que finalmente isso surge: uma menção no meu blog – pode não ser grande coisa, mas já se sabe que a cavalo dado não se olha o dente, mesmo que estejamos a descer de cavalo para burro e que as vozes de burro não cheguem ao céu.

A Jessica é a maior proximidade que eu tenho com o Ricardo Araújo Pereira (RAP) ou ele não insistisse em estar presente em trabalho onde a Jessica está a assistir. Digamos que, se a vida fosse o Linkedin, o RAP já me apareceria como uma conexão de segundo grau, graças a ela.

Detentora de RedPass, a Jessica sempre se mostrou contra Rui Vitória (mesmo quando ele ganhou) e o Benfica é uma das suas grandes paixões, juntamente com a Eurovisão (originalmente, eu tinha escrito Festival da Canção. Ela fez questão de corrigir. E muito bem). Diz ela que não percebe nada de música, apesar de, provavelmente, nos conseguir dizer que música levou a Macedónia a concurso no ano de 2008. Torce sempre pela Itália, apesar de não gostar o país. Pode soar a contradição, mas é disso que todos somos feitos. Até aqueles que, como ela, dizem não perceber nada de música e terem uma banda.

Por falar em contradições, diz de forma rezingona que não tem bom feitio, o que, de certa forma, é a melhor forma de provar o seu ponto, mas isto já se sabe como é e quem conta um conto acrescenta um ponto e vai na volta é tudo boatos.

A razão pela qual escolhi a Jessica para fazer as dez perguntas prende-se com o facto de ela olhar para o Mundo com olhos curiosos, próprios e com sentido de humor, o que me levou a pensar que teria 10 perguntas interessantes e que levariam ao limite a minha imaginação para lhes conseguir dar resposta.

São estas as perguntas que a Jessica Mendes escolheu (felizmente para ela não é minha prima e, infelizmente para nós os dois, não somos primos do Jorge Mendes), antes que esta descrição se torne longa demais, que hoje em dia, já se sabe, menos é mais e o que é de mais não presta.

1- Porque é que as pessoas com colunas ligadas aos altos berros nos transportes públicos estão sempre a ouvir barulho e nunca música?

Música não é o meu ponto forte. Eu diria que , hoje em dia, estamos pouco habituados ao silêncio e que eles o fazem precisamente porque não sabem viver sem qualquer espécie de estímulo auditivo. Em relação à música que ouvem, já será uma questão de gosto. No entanto, parece-me que a música mais calma ou intimista "pede" menos exteriorização do que música mais mexida. Seja que música for, o meu conselho é que mantenham a música para vocês nos transportes públicos, seja Chopin, Buraka Som Sistema ou Deejay Telio.

 

2- Se tivesses a oportunidade de dizer uma frase a toda a gente e que toda a gente ia perceber, qual era?

 

Pergunta bastante interessante. Já escrevi neste blog por diversas vezes que não tenho especial interesse em que as pessoas pensem como eu. Pelo contrário, sou um acérrimo defensor da diversidade de pensamento. Nesse sentido, nunca partilharia nada ideológico (no sentido estrito do conceito). Possivelmente, iria dizer que estarmos chateados é uma perda de tempo e que o tempo que perdemos chateados com ninharias é tempo que nunca mais vamos recuperar. É uma coisa bastante simples, mas que todos tendemos a esquecer no dia-a-dia.

 

3- Que destino merecem as pessoas que dizem "queria? Já não quer?"?

Essas pessoas merecem que lhes respondamos "por acaso, agora já não quero" e que fiquemos a apreciar a cara delas enquanto elas pensam que perderam um cliente. 

 

4- Porque é que o cor-de-laranja se chama "cor-de-laranja" e o limão não se chama "cor-de-limão"?

Antes de mais, deixa-me dar os parabéns sobre esta pergunta. Sinto que se discute pouco o tema dos citrinos na nossa sociedade civil. A identificação entre a cor e a laranja tem, provavelmente, a ver com o facto de na natureza não haver muitas coisas com essa cor e ser uma boa forma de identificar a cor, ao contrário do que acontece com o amarelo e o limão.

 

5- Acreditas em Deus? O que te leva a acreditar ou não?

Esta é uma das perguntas essenciais às quais tenho muita dificuldade em responder. Para mim, é claro que não tenho nenhuma religião e é assim por opção. No que diz respeito a Deus, a minha relação com Ele vai tendo os seus momentos de maior crença e descrença. A minha postura é a de acreditar muito em mim e de que tudo aquilo que eu consigo se deve às minhas capacidades e de que aquilo que eu não consigo é porque simplesmente não tive a capacidade de o conseguir. No entanto, há coisas que fogem ao nosso aparente controlo e nessas acreditar em Deus ajuda-nos a agarrar a algo e mais facilmente ultrapassar. Confesso que por vezes sinto inveja dos Católicos. Não é uma questão fácil para mim.

 

6- Qual a tua palavra preferida a língua portuguesa e porquê?

 

Eu gosto muito de palavras. Mais ainda de palavras em português. A minha palavra preferida é, sem dúvida, "periclitante". Isto porque tem uma sonoridade perfeita e que me remete imediatamente para o seu significado. Quando alguém diz "periclitante", aconselha-se imediamente precaução.

 

7- Qual a música que melhor te descreve? Porquê?

 

Eu não ligo muito a música e isso deve fazer de mim uma das raras pessoas para quem é mais fácil dizer a palavra preferida do que a música favorita. Ainda assim, e fugindo à tentação de responder "Ser Benfiquista", diria que é "Estou Além" do António Variações. Não é que seja a música preferida, mas acho que descreve um pouco alguns dos meus pensamentos (possivelmente há outra melhor, mas a minha cultura musical não me permite alcançar a canção escrita a pensar em mim).

 

8- Se pudesses ver uma série do início como se fosse a primeira vez, qual era e porquê?

 

Nesta vou fazer um bocadinho de batota e escolher duas. Homeland e Peaky Blinders. A primeira porque nunca uma série me agarrou tanto nas duas primeiras temporadas (depois perde qualidade, na minha opinião) e a segunda porque é a minha série preferida. Já revi, mas nunca vemos com o mesmo entusiasmo da primeira vez.

 

9- Quais são os grandes problemas do jornalismo actual?

 

Eu acho que os problemas do jornalismo actual são os problemas da sociedade. Acho que o primeiro factor se prende com a falta de espírito crítico dos jornalistas. Confunde-se isenção com não ter opinião e perde-se o conceito de "jornalista Rottweiller" que questiona quem decide, pede esclarecimentos, faz tremer quem manda e exerce um serviço cívico. 

Outro dos problemas tem a ver com a falta de fundos e dependência financeira em relação a terceiros. Mesmo dando prejuízo, os orgãos de comunicação social continuam a suscitar interesse, pois exercem um poder que é comprado por esses terceiros aquando da aquisição desses meios. Muitas vezes as notícias mais não são do que publicidade, o que é completamente o oposto daquilo que o jornalismo deve ser - um meio para alargar a liberdade do cidadão e não um meio para a condicionar. A falta de fundos faz com que cada vez haja mais jornalismo de secretária do que investigação e tudo é passado de forma bastante superficial. O objectivo passou a ser passar em primeiro lugar determinada hipótese de notícia do que propriamente informar depois de confrontar e cruzar a informação. Por fim, esta mesma falta de fundos, no caso nacional, dá-nos um retrato do país que não é verdadeiro, pois os jornalistas saem cada vez menos de Lisboa (o caso da imprensa é flagrante). Segue-se muito aquilo que é dito na sociedade urbana e nas redes sociais e isso não é um retrato fidedigno da realidade do nosso país.

 

10- Quem é que achas que dá nome aos medicamentos?

A Luciana Abreu.

 

 

 

Vencer Sozinho

por F., em 13.07.19

Sentia-se sozinho. Tinha o Mundo todo contra si. Decidiu, pois, arquitectar um plano para derrotar toda a gente. Um a um. E assim o fez. Vencendo todas as batalhas, havia perdido a guerra. Não se sentia um vencedor. Tinha-se vencido a si próprio e isso tinha sido a maior derrota da sua vida.

Matemática do Físico

por F., em 09.07.19

Era tão bonita que o seu conteúdo era sempre arredondado por excesso. 

Cautela

por F., em 07.07.19

Recebeu a informação de que devido ao resultado das suas análises não seria admitido na tropa. O Estado não permitiria que um cidadão visse o seu estado de saúde agravado por causa de uma bala. 

Ditado Impopular

por F., em 03.07.19

Não há amor como o último. 

Fina Ironia

por F., em 23.06.19

Uma das grandes ironias dos nossos dias é o facto de os vegans serem contra toda a exploração animal e a maioria passar a vida a tentar vender-nos o seu peixe. 

Triângulo Amoroso

por F., em 08.06.19

Sonhava entrar no triângulo amoroso de uma novela. No entanto, nunca encontrou os outros dois vértices. Não passou de um triângulo incompleto. Um triângulo de um só vértice, o que, neste guião é, ao fim e ao cabo, um ponto final.

PIM, PAN, PUM.

por F., em 08.06.19

Não voto no PAN precisamente pela mesma razão que não voto no PNR. Não gosto de extremismos nem de ditaduras. O PAN diz que não é de esquerda nem de direita. Eu não gosto de ditaduras de esquerda, não gosto de ditaduras de direita e também não gosto de ditaduras que não são de esquerda nem de direita.

Aquilo que define uma ditadura é os meios que são postos em prática. O típico militante do PAN é uma pessoa que pretende mudar o Mundo no seu período de vida. Só há uma forma de mudar o Mundo numa perspectiva mais global: obrigar os outros a fazer aquilo que nós queremos que os outros façam e sejam. É isso que o PAN é. O PAN é um partido de uma causa só, cuja presença no Parlamento é marcada sobretudo pelo maior número de abstenções do que tomadas de posição. Um partido que constantemente se abstém é um partido sem opinião. O que leva alguém a votar num partido cuja única opinião é gostar de bichos e da natureza (confesso que nunca entendi o porquê desta distinção)? O PAN quer mudar mentalidades e, para já, embora não passe de uma nota de rodapé, é um partido totalitário. Imaginemos o PAN como força maioritária num Governo. Alguém duvida de que iriam impor o seu estilo de vida a todos quantos votaram e não votaram neles? O PAN quer mudar mentalidades e quer começar a mudar mentalidades mudando o teu almoço.

O PAN representa a sociedade em que hoje vivemos. É verdade que em Portugal não tivemos crescimento da extrema-direita como noutros países, mas o mecanismo por trás dos recentes resultados eleitorais do PAN é o mesmo: o populismo. Tal como a extrema-direita faz com a emigração, por exemplo, o PAN dá respostas simples a problemas complexos. Veja-se o exemplo do fim dos canis de abate. Uma medida saudada por toda a gente, pois, à partida ninguém concorda com o abate de animais saudáveis, mas que vem agudizar o problema dos cães e gatos errantes. Numa sociedade cada vez mais urbanizada e que impõe os valores urbanos e descura a ruralidade, há cada vez menos identificação com a política e os políticos. Tal como o PAN, há muitas pessoas que não têm opinião sobre Educação, Saúde, Economia ou Justiça, mas gostam de bichos e de natureza (continuo sem perceber a distinção). Tal como o PAN, abstêm-se sobre esses assuntos, mas têm convicções sobre tudo o que envolve bichos e natureza dando respostas simples a problemas que são muitas vezes muito mais complexos. O empenho destas pessoas está em salvar o Mundo num dia e acreditam que têm de espalhar a sua palavra aos quatro ventos como se estivessem a meter uma lança em África sempre que dizem o que todos os outros já nos venderam fotocopiado. São uma espécie de testemunhas de Jeová ecológicos.

Aquilo que é verdadeiramente grave no pensamento por trás do PAN e das suas testemunhas é o facto de tudo isto desumanizar a vida humana. O PAN é um partido cujo líder afirmou haver características mais humanas num chimpanzé ou num cão do que numa pessoa em coma. O PAN é um partido que queria retirar os cães dos sem-abrigo ainda que estes sejam a única coisa que muitos têm no Mundo (sendo que, se há cães que podem fugir são os dos sem-abrigo, mas, por alguma razão, mantêm-se ao lado do seu dono. Pelo menos enquanto o PAN deixar). Orwell imaginou em 1946 porcos assentes em duas patas e a comer à mesa com homens. Em 2019, continua a parecer-me bastante mais provável ver o Homem a ser rebaixado à categoria de bicho e ter um PAN qualquer desta vida a mandar-nos a todos para a pocilga jantar com os porcos. É que hoje em dia isto é só uma espécie de pim, PAN, pum, mas depois, um dia, puf!