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605 Forte

O meu Mundo frase a frase. Ironia e sarcasmo usados sem aviso prévio.

D.Rodrigo I e Único, o Pandémico

por F., em 27.05.20

A Pandemia originou inúmeras mudanças na nossa vida. Uma série de expressões invadiram-nos e ouvimo-las repetidamente todos os dias. Não sei quanto ao estimado leitor, mas a mim é das coisas que mais me desgastou no "confinamento". Começava por sugerir que se parasse de chamar "novo coronavírus" ao vírus e se substituísse por "o mesmo coronavírus". Não se fala de outra coisa! Já não é novo. Isto até pode criar o sobressalto nas pessoas de acharem que ainda não nos livrámos deste e já apareceu outro. Por outro lado, propunha que se reduzisse a expressão "linha da frente" até um máximo de 3 utilizações por telejornal (a menos que seja para falar do Liedson ou assim). É preocupante ouvir falar em tanta gente na linha da frente precisamente quando se apela a que mantenhamos a distância física entre nós. Que tal irem para outras linhas? Dispersem-se pela linha de trás, linha do meio, linha das pontas. Não estejam todos na linha da frente. Quanto à expressão "distanciamento social", incomoda-me mais a palavra "social" do que a palavra "distanciamento", mas isso, decerto, já não é uma novidade para o estimado leitor.

 

Não é apenas no vocabulário que se sentem as alterações. Na Assembleia da República, Ferro Rodrigues, depois de ter rejeitado a ideia de os presentes na cerimónia do 25 de Abril irem "mascarados", decretou o uso obrigatório de máscara. Devo dizer que concordo e que acho que era algo que Ferro Rodrigues já deveria usar há mais tempo. Já todos sabíamos dos seus reflexos "pavlovianos", mas cheguei a temer que todo aquele rosnar antes do Dia da Liberdade fosse algo contra as máscaras. Se eu fosse Ferro Rodrigues, aproveitava que estamos numa fase de mudanças e tentava introduzir mais algumas. Por exemplo, o Chega de André Ventura (deve ser dito repetidamente e desta forma) deveria mudar temporariamente o nome para "Chega-te Para Lá"; o hábito de os políticos lavarem as mãos dos problemas deveria ser reforçado, sendo proibido o também clássico sacudir a água do capote. Ficam as sugestões.

 

Com o maior número de horas que passamos em casa, as televisões também decidiram aumentar a duração do telejornal. Eu sinto que há emissões que começam no Paleolítico e se extendem até aos dias de hoje. Por outro lado, surgiu uma nova tendência: há que fechar o telejornal com um momento diferente que encha os nossos corações de esperança, depois de quase 2 horas a mostrar como a nossa vida não vai ser a mesma e todos estamos em risco. Como se não bastasse andar por aí mais um vírus à solta, os senhores jornalistas acharam por bem fazer um esforço de tornar os fechos do telejornal virais. Assumiram que era a tendência para esta Primavera-Verão. "O padrão vírus é o que está a dar", parece que os estou a imaginar a comentar nas redacções. O Yves Saint Laurent desta nova moda é, sem dúvida, Rodrigo Guedes de Carvalho com os seus discursos e poemas inspiradores que me fazem ter mais medo de o desiludir do que do próprio vírus. Quem não se deve sentir muito inspirada por Guedes de Carvalho é a Ministra da Saúde que apanhou forte e feio quando foi entrevistada pelo distinto pivot. Pode estar muito embrenhada em resolver o problema do coronavírus, mas o que é certo é que, desde aquele dia, Marta Temido pelo menos já sabe um pouco melhor o que é bom para a tosse. Houve alguma contestação a Rodrigo Guedes de Carvalho após a entrevista, mas eu gostava de lembrar os indignados que todo o Almada Negreiros tem o seu Manifesto Anti-Dantas.

 

São, sem dúvida, tempos bastante diferentes daqueles a que estávamos habituados. A "nova normalidade" obriga a que usemos expressões novas, criemos novas rotinas e, sobretudo, vejamos muitos narizes fora das máscaras. Talvez seja mania de meter o nariz onde não são chamados, talvez seja aprendizagem. O importante é não sucumbirmos perante as dificuldades. Como um dia alguém disse "pedras no meu caminho? Guardo-as todas. Um dia vou construir um castelo". Passo a emissão para ti, Rodrigo.

Confinamento

por F., em 13.05.20

Não era outra coisa senão uma vida entre duas aspas bem distantes uma da outra.

Quem Sou Eu?

por F., em 06.05.20

Queria estar mais definido. Como os ginásios estavam fechados, decidiu ler um livro.

A Gramática do Amor II

por F., em 02.05.20

Os discursos directos já tinham findado. Agora tudo não passava de umas descrições que a memória lhe relatava de tempos em tempos. O pronome de outrora não era agora mais do que uma memória conjugada no Pretérito Mais-Que-Imperfeito.

A Gramática do Amor

por F., em 02.05.20

Decerto que ninguém é perfeito, mas há quem esteja mais perto de o ser. Não havia adjectivos que lhe fizessem jus. Talvez o pronome "ela" fosse a palavra que mais se aproximava de a qualificar. Ela. Simplesmente, ela.

(Advertência ao caro leitor: há histórias que são tão densas que não se podem completar num só post. Não saia do seu lugar porque continua no próximo).

Não Foi Para Isto Que Se Fez o 25 de Abril

por F., em 25.04.20

Eu, leigo em Saúde Pública me confesso. Não estudei o assunto, nunca me interessei sequer por tal coisa. Apenas, numa fase como esta, vou acompanhando o que os especialistas dizem para me manter informado - não para os rebater. Acredito, por isso, que as medidas de segurança para a realização da cerimónia do 25 de Abril tenham sido bem planeadas e que tudo vá correr bem.

 

O 25 de Abril teve como intuito melhorar a vida das pessoas. O método encontrado foi o da Liberdade e que traz outras liberdades e valores associados como, por exemplo, a Segurança. A Liberdade não é um fim que se esgota em si mesmo. É isso que a torna tão preciosa e é por isso que se constitui como um dos valores dos quais me rejeito a abdicar. Muita gente disse ser a favor das cerimónias do 25 de Abril na Assembleia, pois o Parlamento deve dar o exemplo. Já está a dar. Continua a funcionar e isso deixa bem claro que a Democracia não foi nem pode ser suspensa. Isso, em si, já é uma homenagem a Abril maior do que todos os discursos que foram e vão sendo ditos ano após ano. Convidar pessoas para esta cerimónia que, necessariamente, serão idosas significa dizer-lhes para saírem de casa, quando a recomendação é de que não o façam. Neste momento, temos, por um lado, regras que nos dizem que não devemos ver os nossos familiares nessas faixas etárias e pessoas nessas faixas etárias a ser convidadas para uma cerimónia com bastantes mais pessoas. Numa altura em que pessoas fazem grandes esforços com restrições em funerais, casamentos, aulas e muitas mais, vamos ter um Parlamento que se mostra incapaz de adaptar uma cerimónia aos dias tão diferentes que vivemos. O 25 de Abril é incomensuravelmente maior e mais importante do que aquilo que se passa na Assembleia neste dia. O 25 de Abril que importa é aquele que invade as nossas vidas diariamente durante todo o ano. Existe um perigo real de passar a ideia de que esta fase já está ultrapassada e os comportamentos erráticos se reproduzam. Eu, democrata desde que me conheço, não me sinto seguro ao ver comportamentos erráticos que possam colocar a comunidade em perigo. O 25 de Abril de 1974 foi, sem dúvida, muito importante, mas, também sem qualquer dúvida, é menos importante do que o 25 de Abril de 2020. E o 26, 27, 28... 

 

Por outro lado, parece-me haver uma inconsistência retórica naqueles que insistem na celebração por ser um exemplo. Parece-me completamente desprovido de sentido passarmos as discussões no Plenário a alertar para as condições de segurança dos trabalhadores e a alertar para os cuidados de Saúde Pública há semanas e depois ser uma inevitabilidade celebrar esta cerimónia desta forma. De que modo é que se pode sustentar que o não celebrar desta forma seria um golpe na liberdade e não considerar que não haver aulas presenciais é um golpe no direito à igualdade no Ensino, as limitações à circulação são um golpe na liberdade individual ou o fecho de determinados estabelecimentos é um golpe ao livre acesso ao mercado de trabalho? A resposta é simples: Saúde Pública. Não vejo coerência em defendê-la apenas em 365 dos 366 dias que completam este ano.

 

Aquilo que mais me incomodou em toda esta questão foi a postura de um certo grupo de pessoas que, como é habitual, se apropria do 25 de Abril como sendo algo seu. Em nome de uma Igualdade que é só sua e de uma Liberdade que é individual, mas não colectiva. Aquelas pessoas para quem existe apenas dois tipos de pessoas: os que concordam consigo e os fascistas. Eu acredito num 25 de Abril diferente. O 25 de Abril da Igualdade e da Pluralidade. Aquele em que todos podem ter uma voz e onde se pode discordar livremente. O 25 de Abril, se calhar, é o único caso em que é positivo não ter pais: não é da Esquerda, nem da Direita; nem dos bonitos, nem dos feios; nem dos inteligentes, nem dos ignorantes. É de todos. Haverá coisa mais contra o lema outrora propalado "o povo unido jamais será vencido" do que este divisionismo sectário? Não está alguém a aproximar-se dos comportamentos de um fascista ao querer abafar as opiniões de outro? Não será mais lógico combater os comportamentos dos quais discordamos sendo diferentes e não iguais? 

 

Todos os anos, neste dia, escrevo um texto sobre a importância do 25 de Abril e da liberdade. Este ano, infelizmente, não o pude escrever da forma que gostaria, seja pela pandemia, seja por toda esta polémica e por aqueles que me fazem sentir mais próximo de 24 do que de 25 de Abril. Espero ter a oportunidade de, daqui a um ano, escrever um texto bem diferente, porque uma coisa eu tenho a certeza: não foi para isto que se fez o 25 de Abril.

 

 

Sobressalto

por F., em 21.04.20

Foi assaltado por uma dúvida. "Mãos ao ar!", disse a sua mente de ponto de interrogação em riste. 

Luto II

por F., em 21.04.20

Perdeu a vida. Naquele instante, a pior notícia era a de que continuaria vivo.

Coronavírus

por F., em 14.04.20

Recomenda-se o uso de máscara e a distância social. Há anos que os introvertidos combatem a Pandemia.

Opinião

por F., em 14.04.20

Cada um escolhe a propaganda em que quer acreditar. A isso, chamamos vulgarmente "opinião".