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605 Forte

O meu Mundo frase a frase. Ironia e sarcasmo usados sem aviso prévio.

Carta de Amor

por F., em 23.04.18

Ele era médico e, portanto, a ela só lhe restava uma alternativa: tinha de ser paciente. O diagnóstico era simples e fulminante. Não havia cura. Ia mesmo morrer de amores.  

Manifesto Pró-Camões

por F., em 25.03.18

Não sou dado a patriotismos, mas a defesa da Língua Portuguesa é, antes de mais, um acto de civismo. Circula pelo Facebook uma imagem com a diferença da conjugação verbal do inglês para o português e a multiplicidade de opções que a nossa língua oferece. É evidente que a Língua Portuguesa é difícil. Dirão os mais incautos que é a tendência lusitana para complicar o que os outros simplificam. Direi eu que, quantos mais vocábulos e opções tivermos para expressar as nossas ideias, mais ideias poderemos expressar. Estatisticamente, diria que será mais fácil um macaco escrever algo brilhante em inglês ao carregar aleatoriamente nas teclas de um computador do que se o fizer em português. Deste modo, não defender a Língua Portuguesa, isto é, não escrever de acordo com as regras da Gramática apenas porque se tem preguiça (o que é também uma ideia falsa. Dá tanto trabalho escrever bem como escrever mal) é um atentado contra a liberdade e contra o maior Património vivo que temos no nosso país. Repito: não é uma questão de patriotismo (como não é uma questão de patriotismo não vandalizar o Mosteiro dos Jerónimos). É uma questão de civismo.

Fábula do Certo, da Greve e da Educação

por F., em 18.03.18

Certo dia, o Professor Mocho castigou toda a sua turma de borregos por não ter encontrado o culpado de certa vil acção. Ainda ameaçou dizendo que castigaria todos, caso ninguém se assumisse como culpado. Certo é que ninguém quer ser o delator da turma, da mesma forma que também é certo que é preferível ser culpado e cumprir castigo em conjunto do que sozinho. Decerto que o leitor já reparou em que o fardo é mais fácil de ser carregado se for transportado por todos do que apenas por um. História diferente seria se fosse para comer o fardo. Aí é certo que toda a gente o quer comer sozinha, mas isso são conversas para outros posts. Onde é que eu ia? Ah, certo! O castigo! Dizia eu que ninguém se tinha assumido como culpado e então toda a turma tinha sido castigada. Naquele momento, havia apenas uma certeza naquela turma de vinte borregos: para ser justo com um, o Professor Mocho tinha sido injusto com dezanove.

 

Um certo número de anos mais tarde e que agora certamente não importa precisar, um dos borregos já tinha barbicha e tornou-se no Excelentíssimo Bode Ministro da Educação. Uma das suas primeiras medidas visou combater a incompetência de um punhado de professores aplicando uma certa medida a toda a classe de professores. Certo era e certo foi que os professores acharam a medida injusta e avançaram com uma greve numa certa quinta-feira certeiramente pensada para que os professores (Mochos e outras aves) batessem as asas para o fim-de-semana dois dias certinhos mais cedo. 

Nada mudou e assim se foi cambaleando, decerto que não muito bem, até aos dias hoje.

 

Moral da História: quem um dia tinha sido inocente era agora culpado. Quem um dia tinha sido culpado continuava a ser culpado. É este o problema de trabalhar na Educação. É a base de tudo. Quando a Educação falha, falha a sociedade. 

Democracia

por F., em 18.03.18

O facto de, na maioria das vezes, preferirmos dizer que alguém discorda de nós ao invés de "discordamos" ou "não concordamos" é um indício revelador da condição humana: é o outro que não concorda connosco quando é impossível, num universo de dois, apenas um discordar. Aceitar a opinião dos outros é um esforço racional a que todos temos de nos submeter diariamente. Não estamos preparados para aceitar naturalmente a diversidade de opiniões. A Democracia é uma invenção do Homem, não da Natureza.

Direito De Resposta

por F., em 13.03.18

A premissa era simples: não era possível haver um clima de união em momento de tragédia no futebol português como aconteceu recentemente em Itália. Sabemos, no entanto, que uma tragédia nunca vem só e como funcionam as redes sociais - uma brisa é um tornado e uma lareira é um incêndio.

 

 

A estratégia para desmontar este ponto de vista começou por se fazer com bastante elevação com a frase "quem se deita com miúdos acorda mijado". Fugindo à tentação de sugerir uma ida ao médico para ver da próstata, tentei recentrar a questão naquilo que eu estava a dizer e não na idade que eu tinha. Infelizmente, não foi possível. A resposta começou com um "o teu clube", o que, em certa medida, acabava por provar o meu ponto inicial. Por vezes, o ódio é tanto que as pessoas não enxergam coisas que são óbvias e pacíficas. O ódio ou a idade.

 

Deve ser aborrecido ter como base de toda a argumentação a idade da pessoa com o ponto de vista oposto numa clara tentativa de a descredibilizar por ser pouco vivida e terminar contradizendo-se com os seus - talvez não seja a palavra mais correcta - argumentos. Leva-me a perguntar que uso deu aos anos de vida adicionais que já teve e a desejar que ande por cá muitos mais anos, pois, se isso que popularmente ficou cunhado como "escola da vida" efectivamente existe, estamos perante um repetente. 

 

 

Quanto a mim, cá continuarei a respeitar os cabelos brancos e as rugas dos demais da forma mais justa que o posso fazer: em igualdade de circunstâncias com os jovens e não aceitando que a idade é um posto. A experiência poderá sempre fazer a diferença. A idade nunca.

Viver

por F., em 04.03.18
viver | v. intr. | v. tr. | s. m.
 

vi·ver |ê| 
(latim vivo-ere)
verbo intransitivo

1. Capacidade de gerir a diferença entre aquilo que queremos que aconteça e aquilo que efectivamente acontece.

 

Epitáfio II

por F., em 04.03.18

Passou a vida com sono. Que agora descanse em paz.

Entrevista Sem Destinatário

por F., em 04.02.18

- O que mais te inquieta?

 

- Já choraste de alegria? Quando?

 

- Qual foi o momento da tua vida em que foste pior ser humano? E melhor?

 

- Imaginas o teu funeral? Porquê? Como? (caso se justifique)

 

- Qual é a tua convicção mais forte?

 

- Até que ponto é que devemos aceitar a influência de outras pessoas?

 

- O que já fizeste pelos teus sonhos?

 

- Como sabes que estás certo(a) ou errado(a)?

 

- Se pudesses ser Deus, serias? Porquê?

 

- Já tiveste consciência da felicidade? Se sim, quando?

Plano de Vida

por F., em 03.02.18

Estava um senhor na fila do supermercado a bufar de impaciência com a demora do atendimento. O meu primeiro pensamento, crítico e de quem ainda claramente sente a terceira idade à distância, foi de estranheza. Será que uma pessoa (provavelmente) reformada teria assim tanta coisa para fazer ao ponto de se impacientar com uma fila de supermercado? Depois percebi. Quando chegamos à parte final da nossa vida, cada segundo fica mais caro. Não há tempo que possa ser desperdiçado. A impaciência estava justificada. Descobri também naquele momento qual era o meu plano de vida - fazer tudo o que tenho de fazer a tempo de chegar à terceira idade e não me importar com o tempo desperdiçado nas filas do supermercado.

Desculpas III

por F., em 21.01.18

"Por motivos pessoais", isto é, não tens nada a ver com isso ou não consegui pensar numa boa desculpa.